ARTIGOS

SESSÃO FANTASMA #1: O PRESENTE – 01/07/2020

Com este ciclo de conversas, o Coletivo Fantasma pretende dinamizar um espaço informal de diálogo, dedicado a  promoção do debate e do pensamento crítico em torno de temas centrais da cultura contemporânea nas suas mais diversas manifestações e expressões.

Neste primeiro ciclo, partindo metodologicamente de uma perspetiva essencialmente local, o enfoque das conversas visa o aprofundamento de questões ligadas a um território que nos é comum e centra-se em temas como a Política Cultural, a História, o Património Material e Imaterial, a Criação Artística Contemporânea, a Formação Artística e de Públicos, o papel do Associativismo Local, a urgência da Crítica Cultural, as Novas Tecnologias ou a definição de Novas Estratégias Para a Cultura.

Através de uma reflexão acerca do Passado, do Presente e do Futuro da Cultura em Torres Vedras, as sessões fantasma convocam para o debate, além de alguns convidados, a sociedade civil e o tecido associativo local, procurando a afirmação de um espaço dialógico e de pensamento partilhado, isento, democrático e aberto a todos os interessados.

Sessão Fantasma 1# – O Presente – E Agora Respiramos?

CRÓNICA - 01/06/2020

“Isto não é bem uma história da noite” – Luís Filipe Cristóvão

Como na Crónica de uma morte anunciada, do Gabriel García Márquez, começo esta história pelo fim. Não, ninguém morreu. Mas em abril de 2001, no edifício da antiga Cooperativa Agrícola de Torres Vedras, ali na Rua Santos Bernardes, era lançado o número zero da revista literária “quase”, uma edição do Académico de Torres Vedras.

A génese desta revista aconteceu na noite da cidade, algures entre bares e cafés que fizeram itinerário de gente que não estava bem em lugar nenhum. Todos, no entanto, queríamos coisas parecidas. Escrever o que nos vinha à cabeça, mostrá-lo para além dos costumeiros caminhos da intelectualidade local, fazer qualquer coisa que pudesse estremecer.

Parte de nós andava também pelos corredores da Faculdade de Letras de Lisboa, onde outras revistas, de outras latitudes, nos faziam sentir um pouco mais próximos desse ambiente mítico da revista literária. Será que a partir de Torres Vedras iríamos ser capazes de iniciar algum movimento que fosse marcante para o mundo? Não éramos muito ambiciosos. Era quase impossível. Por isso se chamou a revista “quase”.

ENTREVISTA - 01/04/2020

ENTREVISTA COM ANDRÉ AVELAR

A propósito da exposição “Carne”, patente na Paços – Galeria Municipal de Torres Vedras até 15 de março de 2020, o Coletivo Fantasma esteve à conversa com o autor.

O que é para ti esta “Carne” que nos ofereces ao olhar?

É uma carne que se coisifica, que por fetichismo se oferece à condição de objeto. Pode ser a minha/nossa carne, ou na gíria carne para canhão, fica para o espetador a responsabilidade de lhe atribuir significado.


Como defines o papel da arte e do artista contemporâneos perante a nossa sociedade?

Alimento ainda a ideia romântica, já muito antiga, o papel da arte na denúncia da alienação, na rutura e regeneração, afirmando uma sociedade mais justa, mais ética e mais democrática. Acabo claramente sem ilusões por concordar com o crítico e historiador Hal Foster, quando este afirma que o caminho neoliberal…